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2025Pessoa Física

Auxílio-doença acidentário (B91): como funciona, quem tem direito e como solicitar

By outubro 28, 2025novembro 7th, 2025No Comments
Trabalhador com documentação médica e CAT em mãos solicitando auxílio-doença acidentário no Meu INSS.

O auxílio-doença acidentário (B91) protege o trabalhador que fica temporariamente incapacitado por acidente de trabalho, doença ocupacional ou acidente de trajeto. Diferente do auxílio-doença comum (B31), o B91 não exige carência, garante depósitos de FGTS durante o afastamento e assegura estabilidade no emprego por 12 meses após a alta do INSS.

A seguir, você vai entender requisitos, provas necessárias, cálculo do valor, documentos, passo a passo para pedir, como agir em caso de negativa e a diferença para o auxílio-acidente.

O que é o auxílio-doença acidentário (B91)?

É o benefício pago pelo INSS ao segurado incapaz temporariamente para o trabalho em razão de:

  • Acidente de trabalho;
  • Doença ocupacional (relação direta com a atividade/ambiente laboral);
  • Acidente de trajeto (deslocamento casa–trabalho–casa).

Vantagens do B91 em relação ao B31 (comum):

  • Sem carência (pode ser concedido desde o primeiro dia de vínculo, se houver nexo com o trabalho);
  • FGTS continua sendo recolhido pelo empregador durante o afastamento;
  • Estabilidade de 12 meses após a alta do INSS (sem demissão sem justa causa).

Quem tem direito ao B91? Requisitos práticos

Para receber o B91, o trabalhador precisa cumprir três pilares:

  1. Qualidade de segurado
    Estar vinculado ao INSS (empregado, contribuinte individual, avulso, etc.) ou dentro do período de graça (12 a 36 meses, conforme histórico).
  2. Incapacidade temporária por mais de 15 dias
    Pode ser 15 dias consecutivos ou intercalados em 60 dias para a mesma causa.

Os primeiros 15 dias são pagos pela empresa; a partir do 16º, o INSS assume.

  1. Nexo causal com o trabalho
    Comprovar que o evento/doença tem relação com a atividade profissional (acidente, exposição, ergonomia, agentes nocivos).

Como comprovar o nexo causal (trabalho × incapacidade)

CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho

  • Preferencialmente emitida pela empresa.
  • Na falta, pode ser emitida pelo CEREST, sindicato, autoridade pública ou pelo próprio segurado.

NTEP – Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário

  • O INSS cruza CNAE da empresa com CID da doença (Decreto 3.048/1999).
  • Se houver correspondência, presume-se o nexo. Para afastá-lo, o perito deve justificar tecnicamente (p.ex., ausência de exposição).

Provas clínicas e ambientais

  • Laudos, exames, atestados, prontuários;
  • Relatórios de ergonomia/segurança, PPRA/PCMSO/ASO;
  • Descrição de tarefas e condições de trabalho.

Como é calculado o valor do B91

O INSS apura dois valores e paga o menor:

  1. 91% da média de 100% dos salários de contribuição (desde 07/1994 até o mês anterior ao afastamento);
  2. Média simples das 12 últimas contribuições.

Segurado especial (rural em economia familiar): o valor é 1 salário mínimo, independentemente da média.

Auxílio-doença acidentário (B91) × Auxílio-acidente

B91 (acidentário):

  • Substitutivo do salário enquanto há incapacidade temporária;
  • Cessa com a alta ou reabilitação;
  • Mantém FGTS + gera estabilidade de 12 meses após a alta.

Auxílio-acidente (indenizatório):

  • Devido após a consolidação das lesões quando restam sequelas permanentes que reduzem a capacidade para o trabalho;
  • Pode ser acumulado com salário (o trabalhador pode voltar a trabalhar);
  • Valor: 50% da média dos salários de contribuição (regra geral vigente), até a aposentadoria.

É comum receber B91 durante o afastamento e, depois da alta, passar a receber auxílio-acidente se houver sequela com redução de capacidade.

Documentos necessários para pedir o B91

  • Laudos e atestados com CID, período de afastamento, assinatura, carimbo e CRM;
  • CAT (fortemente recomendado);
  • CTPS ou comprovante de vínculo/função;
  • Exames e relatórios médicos que demonstrem a incapacidade e o nexo;
  • Documentos de saúde e segurança do trabalho, quando disponíveis (ASO, PCMSO etc.).

Como pedir o auxílio-doença acidentário: passo a passo

  1. Registre/obtenha a CAT (empresa, CEREST, sindicato, autoridade ou você mesmo).
  2. Organize a documentação médica (laudos atualizados, exames e histórico).
  3. Faça o requerimento no Meu INSS (“Benefício por Incapacidade” → selecione modalidade acidentária).
  4. Atestmed (análise documental): em muitos casos o INSS decide sem perícia presencial com base nos documentos.
  5. Perícia presencial: se marcada, compareça com todos os documentos originais.
  6. Acompanhe o processo e guarde as comunicações do INSS.

Prorrogação:

  • Benefício via Atestmed não admite prorrogação; se persistir a incapacidade, faça novo pedido.
  • Perícia presencial admite prorrogação (solicite antes do término do benefício).

Negativa do INSS e “limbo” previdenciário-trabalhista

Se o INSS nega e o médico da empresa não libera seu retorno, surge o “limbo”: sem benefício e sem salário.

  • A jurisprudência costuma atribuir ao empregador o pagamento dos salários enquanto durar o impasse.
  • Guarde o comunicado de indeferimento e atualize o dossiê médico.

Caminhos para reverter:

  • Recurso administrativo (pode ser demorado e, em regra, sem nova perícia);
  • Ação judicial (nova perícia por perito do juízo, possibilidade de médico assistente, quesitos técnicos e retroativos).

Perguntas frequentes (FAQ)

B91 exige carência?
Não. Se houver nexo com o trabalho, não há carência.

Quem paga os primeiros 15 dias?
A empresa. A partir do 16º dia, o INSS.

Tenho estabilidade após a alta?
Sim. 12 meses sem demissão sem justa causa.

Recebo FGTS durante o B91?
Sim. O empregador mantém os depósitos.

Posso acumular B91 com auxílio-acidente?
Não ao mesmo tempo. O B91 cessa com a alta; se restar sequela com redução de capacidade, pode surgir o auxílio-acidente.

Conclusão

O auxílio-doença acidentário é essencial para resguardar a renda de quem adoece ou se acidenta por causa do trabalho. Conhecer as regras, dominar as provas do nexo causal (CAT, NTEP e documentação clínica) e seguir o passo a passo correto aumentam muito as chances de concessão. Em caso de negativa ou limbo, a atuação técnica — inclusive judicial — costuma ser decisiva para garantir o benefício e os retroativos.

Saiba Mais:
Página oficial do INSS sobre CAT

Benefícios por Incapacidade

Trabalhador com documentação médica e CAT em mãos solicitando auxílio-doença acidentário no Meu INSS.
Bruna Proenca

Advogada Especialista na Área Previdenciária

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